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A Manchadita

A Manchadita

A Farsa do Advogado Pathelin

Boas maltinha

Vou-vos deixar aqui um trabalho que fiz para a Faculdade que acho digno estar públicado agora, já o apresentei e em virtude de ter gostado muito de o ter feito, acho maravilhoso poder partilhar convosco!

Trata-se de uma leitura que fiz de uma obra, mais precisamente de uma farsa, da idade média, que se desconhece o autor. Para vos entusiasmar, digo-vos já que é muito anedótica e pequenina, como sabem eu amo partilhar anedotas convosco e esta obra, na minha opinião, é simples, suficientemente detalhada e com muita graça pelo meio.

Eu vou apresentar-vos um breve resumo para entenderem e vou deixar também um pouco de cultura relacionado com a obra, que, para quem gosta de arte, em especifico a arte teatral, é interessante saber-se. E como eu costumo dizer "o saber não ocupa lugar", simplesmente nos torna pessoas mais interessantes.

  • Resumo:

Pathelin, advogado corrupto e desonesto, prepara uma cilada ao comerciante de tecidos, Guilherme, pois vê-se numa fase de decadência económica e precisa de roupa para ele e para a esposa Guilhermina. Vai à loja do mestre Guilherme, que lhe tenta vender os artigos mais caros do que são. Pathelin compra uma fazenda na condição de Guilherme ir jantar a sua casa e, apenas posteriormente, lhe pagar com umas peças de ouro. Contudo, já tinha combinado com a esposa que, quando Guilherme chegasse a sua casa, esta fingiria que Pathelin estava gravemente doente e que nem saía do quarto, não podendo ter sido ele a comprar qualquer fazenda, acabando assim por, no momento, convencer o mestre Guilherme que este teria visto na sua loja o diabo em forma do advogado.

Guilherme ainda desconfia, mas vai pela segunda vez a casa do Doutor Pathelin para tirar as supostas verdadeiras conclusões. Acaba convencido de que o advogado está realmente doente com base no que a esposa do Doutor lhe disse.

O pastor Teobaldo, que cuidava dos rebanhos de Guilherme, matava os carneiros para fazer o seu próprio dinheiro e dizia que estes morriam derivado à peste. O comerciante, ao descobrir o sucedido, levou o caso a tribunal.

Posto isto, Pathelin, pensando que ia ficar com mais posses financeiras, pactua com Teobaldo defendê-lo perante um Juiz em troca de ouro, sendo que durante o julgamento Teobaldo só podia responder “Béé!”, para que fosse visto no tribunal como idiota e vencesse o caso. Durante o julgamento, Guilherme, ao ver Pathelin na defesa, entra em colapso e confunde as duas histórias de que foi vítima (a morte dos seus carneiros e a armadilha da fazenda) sendo considerado louco.

No final do julgamento, Pathelin pede ao seu cliente o prémio pela defesa que fez, mas Teobaldo responde-lhe “Béé!” e foge. Esta obra termina com “uma raposinha” a enganar “uma raposa matreira”.

  • Comentário:

“A farsa do advogado Pathelin”, como o nome indica, é uma obra jubilosa que retrata uma armadilha de um advogado que julga ser “esperto” acreditando que conseguia obter a satisfação dos seus interesses enganando os outros. Contudo, as restantes personagens também apresentam características hipócritas e desonestas e assim se desenrolam vários confrontos burlescos. É um texto dramático que traduz uma crítica às classes sociais, visível na obra através dos conflitos entre comerciantes e homens de lei.

É uma obra de literatura francesa da idade média, criada em meados do século XV, que é escrita numa fase em que o assunto “peste negra” foi um problema recente, como se comprova em várias citações da obra, “Depois vinha dizer que tinham morrido de peste”. Foi criada também após a Guerra dos Cem Anos, última guerra feudal, em que a situação política e económica se recompõe e é possível o renascimento artístico.

Esta sátira social aparece na época de Carnaval. Então, a honestidade burguesa e a moralidade cristã são ridicularizadas como podemos comprovar em alguns diálogos em que as personagens dissimuladas recorrem a Deus e a Nossa Senhora, como por exemplo “Por Deus, mestre Guilherme, só assim o senhor conhecerá o caminho de minha casa”. Um tema também relacionado com o Carnaval é a loucura. Pathelin representa “o louco” “ele canta, chora, ri, dança, fala em línguas diferentes” e Guilhermina convence Guilherme de que é ele o louco (“o senhor continua na sua loucura”).

Outro aspeto a salientar é que o vocabulário desta obra é acessível, de modo a que todos entendam a critica e de forma a criar um vínculo com o público.

Em suma, é uma obra, em que se desconhece o autor, detalhadamente jocosa, com uma linguagem simples e ingénua que são caraterísticas da Idade Média.

 

Espero vos ter dado a conhecer algo novo e que tenham considerado agradável esta minha públicação.

Beijinhos

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